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POSTADO EM 10/28/2015 POR Ousada

Cristo e o dilema do Caos

“Não precisamos de nenhuma educação”, este é um trecho de uma música bastante conhecida da banda britânica Pink Floyd chamada “Another Brick  in The Wall” (Outro tijolo na parede), composta em 1979. Esta música se tornou um hit tocado em todo o mundo, inclusive pelos jovens daquela época e até os dias de hoje.

Muito além do que uma simples canção, esta na verdade se tornou uma bandeira, um símbolo de uma mudança abismal na história do ocidente. “Não precisamos de nenhuma educação” significaria um grito por uma suposta liberdade ante às regras e normas estabelecidas no período que os historiadores costumeiramente denominam Modernidade. Este período se caracterizou pelas normatividades, pela convicção de que existia sim uma verdade absoluta, e que a ciência poderia resolver todos os problemas da humanidade. As expressões artísticas demonstram bem esta forma de visão de mundo. As artes do período moderno prezavam o rigor, a complexidade e a ordem. Da música clássica, às telas bem traçadas, com rostos desenhados com bastante fidelidade e até mesmo a moda com seus estilos de forma padrão, sem variedades e cores; homens de terno e mulheres com vestidos longos.

Sim, “The Wall” (como é conhecida), expressa que a educação dada no período moderno não levou o homem à liberdade que ele tanto ansiava. Pelo contrário, o avanço científico, que era a esperança para a salvação dos males do mundo, produziu, caos e destruição, como a criação de bombas atômicas por exemplo. “The Wall” é um hino de protesto contra as normas estabelecidas, contra as instituições que “limitam e definem a vida humana”. É o que o homem “pós-moderno” deseja, não precisamos de nenhuma educação.

A revolução do pensamento do período moderno para a pós-modernidade (modernidade líquida, modernidade tardia, e tantos outros nomes dados ao período em que vivemos) traz consigo grandes transformações para o cotidiano do homem atual. E da mesma forma, as expressões artísticas são o melhor meio de propagação das novas ideias. Basta olharmos para a gama de estilos musicais, as artes sem critério, sem significado específico, a moda que não necessita mais de um padrão (basta olharmos as calças coloridas nos centros das cidades). Assim as principais características deste momento histórico é a falta de normas, a descrença em uma verdade absoluta, uma reversão a toda  instituição que apresenta regras a serem seguidas. O homem pós-moderno não crê que existe apenas um caminho a seguir, não há uma ética, não há uma moral, cada um faz o que quer da sua vida “cada qual com seu James Brown” já dizia a música do O Rappa. Nesta pluralidade de ideias o indivíduo atual se une à subgrupos que pensam de alguma forma semelhante, os “ismos”, (feminismo, homossexualismo, socialismo) são alguns exemplos.

Uma característica comum entre todos os momentos históricos é a angústia por salvação. A necessidade de transcender além daquilo que nos cerca. Porém a tentativa de fundamentar no homem a resposta para os dilemas do mundo sempre desmoronou em problemas maiores. E o fato se dá por uma razão simples, o homem não consegue transcender, alcançar a salvação por conta própria, por que ele é limitado. O pecado que afetou Adão é o mesmo que afeta o homem atual, a tentativa de se tornar Deus. O limitado tentando ser ilimitado, o finito tentando ser infinito.

E a resposta para esse conflito? Onde está? O apóstolo Paulo nos ensina de modo contundente na sua carta aos Filipenses, capítulo dois, verso cinco ao sete: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, existindo em forma de Deus, não considerou o fato de ser igual a Deus, algo a que se devesse apegar, mas pelo contrário, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhantemente aos homens”. O dilema do homem pecador é se tornar Deus, enquanto o caminho é inverso, e ensinado por Cristo, aquele que é eterno e transcendente se fez servo, se fez carne, se humilhou. Por isso Ele mesmo diz: “Eu sou o caminho”, Ele não é um caminho a ser seguido, Ele é O caminho, o único e não existe outro. A redenção do homem passa necessariamente pelo Cristo encarnado e ressurreto, somente o Deus encarnado pode transcender o homem, por ele está acima do espaço e do tempo, Ele se comunica o Eterno e com o finito, a ponte que liga o homem ao seu criador, que ensina realmente o sentido e o propósito da existência humana. Nós precisamos de educação sim, mas não qualquer educação, mas o ensino do próprio Deus, através de Cristo, nosso mestre.

 

 

 

Pedro Alcântara

Pastor da Abrigo Igreja Reformada,

Missionário no Ministério Pão e Vida,

Bacharel em Teologia pelo STBG e FAIFA,

Graduando em Filosofia PUC-GO.

 

 

POSTADO EM 10/28/2015 POR Ousada



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